Atualização: setembro 7, 2022

Editores: gusayres

O segredo da sensação de progresso

É curioso que o ser humano precise ter sensação de progresso para de fato perceber o progresso das coisas.

Digo isso por algo que reparei durante uma sequência de 2 sprints em um do projetos que estamos tocando aqui na ZBRA.

Para dar mais contexto, veja aqui como foi o sprint burnup do primeiro sprint (Sprint 7):

Imagem de um gráfico de sprint burn up que mostra o escopo total em 34 pontos em amarelo e uma linha de caminho ideal subindo de 0 a 34 entre os dias 23 de junho de 2021 até 6 de julho de 2021. Em verde temos o progresso do time que fica bem abaixo do ideal, com um período de 3 dias travado em 5 pontos entregues e no final chegando em 24 pontos.

Como dá para perceber, não foi nem de longe um bom sprint. Além de ficarmos com um boa distância de entregar os 34 pontos inicialmente planejados, entregando somente 24, tivemos uma “barriga” de 2 dias sem entregar nada com um salto de 11 pontos de um dia para o outro.

Durante a retrospectiva, alguns dos comentários foram:

“Muitas histórias grandes no mesmo sprint”

E também:

“Essa sprint ficou com muita cara de ‘paradona’ e no final tivemos que correr”

E, de fato, tivemos 1 história de 8 pontos e 2 de 5 pontos durante essa sprint. Algumas dessas histórias acabaram sendo feitas em paralelo e todas levaram um tempo para serem finalizadas e com isso tivemos aquela “barriga” que aparece, pois não houveram entregas no período. Além de uma delas não ter sido entregue até o final.

Decidimos como itens de ação (entre outras coisas) que:

  • Histórias não podem ter mais que 5 pontos. Qualquer história acima de 5 pontos, deve ser quebrada
  • Não podemos ter mais do que 2 histórias de 5 pontos

Como resultado da sprint seguinte, tivemos o seguinte gráfico de sprint burnup:

Imagem de um gráfico de sprint burn up que mostra o escopo total em 34 pontos em amarelo e uma linha de caminho ideal subindo de 0 a 34 entre os dias 7 de julho de 2021 até 20 de julho de 2021. Em verde temos o progresso do time que pouco abaixo do ideal mas indo bem próximo e no final chegando em 31 pontos.

Dessa vez dá para ver que o andamento ficou bem próximo do ideal, mesmo que tudo que foi planejado não tenha sido entregue*.

Mas o que chama mesmo a atenção foi o resultado da retrospectiva com comentários do tipo:

“Muito bom trabalhar com histórias pequenas. Deu agilidade à sprint”

e

“Parece que nesse sprint o time voou”

E além desse sprint, os seguintes passaram também a ter essa percepção melhor de entrega por parte do time.

Porém, o curioso é que para além das pontuações entregues terem sido muito próximas ao fim de duas semanas, 24 e 31 respectivamente, o valor entregue para o usuário final e a percepção do cliente em ambos os casos também foi muito próxima (e, no fim das contas, isso que de fato é o importante: valor e eficácia, certo?). Mas a moral do time mudou muito quando de fato teve a SENSAÇÃO DE PROGRESSO que citei no começo.

Para explicar isso, Teresa Amabile escreveu um excelente estudo sobre o que ela passou a chamar de Princípio do Progresso. Em resumo, ela chegou a conclusão que ter metas claras e pequenas, de curto prazo, dão um “boost” na moral das pessoas e times, gerando um ciclo virtuoso fazendo com que isso aumente ainda mais a performance das pessoas.

Isso foi exatamente o que observamos nessas duas sprints citadas (e, como falei, nas seguintes também). É por isso (e também outros motivos) que sempre insisto na ideia de ter histórias pequenas nas suas entregas para que, não só elas cheguem mais rápido em produção, como também melhorem a moral dos seus times.

*vale ressaltar que trabalhamos em um processo de entrega contínua mais parecido com Kanban e o sprint é mesmo somente uma organização quinzenal. É o que muita gente chama de Scrumban 😝

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